segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O 'Escola Sem Censura' Censura



Você já ouviu falar de um movimento chamado "Escola Sem Censura"? Sabe como foi que ele surgiu? Foi por meio de professores e instituições de ensino que estão se sentindo ameaçados com o projeto de lei popularmente conhecido como "Escola Sem Partido". Aparentemente é tudo a mesma coisa, afinal, de um lado tem os que querem o "fim da censura" e do outro, os que querem a neutralidade do professor e a pluralidade de ideias. Nesse cabo de guerra, quem está do lado certo: quem é "contra a censura" ou quem é contra o partido na sala de aula? Para elucidar os dois movimentos, vou relatar a experiência que tive ao defender o Escola Sem Partido (sim, eu tenho um lado nessa discussão). 

Antes de mais nada, vale esclarecer quem defende o quê. A maioria dos defensores do 'Escola Sem Censura' são professores, representantes de sindicatos que defendem essa categoria, movimentos sociais de esquerda, partidos de extrema-esquerda como PT, PCO, PSOL, PSTU e PC do B, além de uma parcela considerável de alunos. Já o Escola Sem Partido, possui em sua ampla maioria, pais e mães trabalhadores, que estão preocupados com o futuro dos seus filhos.

Numa audiência pública realizada em Araraquara, pude perceber que a principal liberdade que estava sendo ameaçada não era a do professor ensinar o que quisesse para os alunos, mas a dos pais ensinarem conforme suas crenças e valores. Nesse dia, mais de setecentas pessoas, somando professores, sindicalistas, políticos de esquerda, estudantes de ensino médio e universitários, lotaram o espaço desde às quinze horas (quando o evento estava marcado para acontecer às dezessete horas e trinta minutos), para que os defensores do projeto 'Escola Sem Partido' não pudessem expor as suas opiniões.

A referida audiência pública não teve dois lados. O movimento Escola Sem Censura mobilizou uma militância para censurar o Escola Sem Partido. O movimento sem censura chamou um doutor "especializado em Escola Sem Partido" para defender o fim desse projeto. Também teve uma deputada do PT (Márcia Lia) para fazer pressão contra. Também teve a líder da APEOESP, sindicato que defende os professores e está ligado ao PT, para ser contra o projeto. Teve líder LGBT, estudante secundarista e comissionado do governo petista para falarem que o Escola Sem Partido era uma "lei da mordaça". Teve de tudo, menos o pai para falar o que queria para seu filho na sala de aula.

Como diz a frase atribuída a Lênin: "acuse-os do que você faz", os líderes do Escola Sem Censura agiram. Nos rotulavam de fascistas, nazistas, intolerantes, fanáticos religiosos e censuradores. Ironicamente nós, os que defendiam o Escola Sem Partido, fomos os únicos que não usufruíram do espaço democrático da tribuna para falar a favor do projeto. Vale ressaltar que quem organizou o evento foram os favoráveis ao projeto. Também é certo afirmar que havia sido combinado o direito de ambos os lados discorrerem favorável ou contrariamente ao Escola Sem Partido, mas os organizadores do Escola Sem Censura fizeram uma mobilização popular (com estudantes) para impedir que o direito dos que defendem o projeto fosse respeitado.

Friso novamente que no meio desse enredo teve um lado que não foi ouvido: o dos pais. Professores quiseram reivindicar seus direitos. Estudantes ingênuos também acharam que estavam ali pelos seus direitos. Sindicalistas e políticos replicavam que estavam representando os direitos dos professores. Mas e o dos pais? Quem dali estava preocupado em saber se era relevante a educação que os pais passam para seus filhos? Mais uma vez, somente os defensores do Escola Sem Partido.

Em junho desse ano, tive a oportunidade de, numa reunião contra a publicação de uma cartilha LGBT que a prefeitura confeccionou, encontrar a coordenadora dos Direitos Humanos. Ela me afirmou categoricamente que não é simplesmente uma professora: é uma facilitadora. Facilitadora do quê? De abrir o horizonte para a criança, fazê-la enxergar algo além do que aquilo que lhe fora ensinado desde o berço. Para a coordenadora, "tem que facilitar o caminho do aprendizado", "derrubar barreiras de preconceito", "desconstruir os padrões" e mais uma vez, facilitar o entendimento das crianças sobre o que há de mal no mundo e que os agentes de transformação social estão dispostos a ensinar para tornar a cidade, país e planeta, um lugar com mais amor e menos preconceito.

Essa mesma coordenadora que citei acima é adepta ao Escola Sem Censura. Quando confrontada a respeito da importância dos pais educarem os filhos, sua resposta foi de que "os filhos não são somente dos pais". Dique também que, enquanto educadora, tinha a obrigação de ensinar aos alunos, aquilo que eles precisavam saber para crescerem sem preconceito e menos machistas, istas e istas no futuro". 

Aparentemente o que essa "facilitadora" falou não tem nada demais. Ela só está preocupada em ajudar a sociedade a ser melhor. No entanto, esse discurso não é novo. Ele parte do pressuposto marxista de que para construir algo, você precisa fazer uma revolução, destruir o atual sistema e implantar outro. Essa é a visão que a maioria dos professores, das três últimas gerações, aprenderam na universidade e estão constantemente replicando, com o apoio de livros didáticos. A questão da "teoria dos gêneros" (ou ideologia de gênero) é só a ponta do iceberg.

O movimento Escola Sem Censura quer ensinar sobre sexualidade, mas acha opressor um pai educar um filho a se guardar até o casamento. Quer ensinar que não há nada de errado em legalizar as drogas no Brasil, mas quer proibir que adolescentes concordem com a opinião de seus pais que acreditam que as drogas trazem problemas para a família. Eles querem falar sobre o direito da mulher abortar, mas querem que os pais que afirmam que a vida é um dom de Deus desde a concepção, são retrógrados e estão do lado dos estupradores, não da vítima.


Se as escolas respeitassem mais os pais, o Escola Sem Partido não existiria. Não ganharia a projeção nacional que teve. Não seria apoiado por juristas e procuradores. Se os professores adeptos do Escola Sem Censura se limitassem a ensinarem apenas a disciplina que foram contratados para lecionar, não existiria o Escola Sem Partido. É por essas e outras que Jair Bolsonaro foi eleito. Que os pais estão pedindo pelo fim da manipulação em sala de aula, pela neutralidade do professor e respeito à pluralidade de ideias. É porque o último governo do PT colocou a estrela branca, com fundo vermelho nas salas de aula, que os pais pedem para que a escola seja SEM PARTIDO.